Anota a nota

 

– Oito, professor? O senhor me deu oito? Não acredito! Qual o critério? – disse a aluna irritadíssima e complementou: – porque oito?
Com o olhar terno e quase fúnebre eu verbalizei cal-ma-men-te:
– Não sei nem o que te dizer [pausa], vejamos, você tirou oito porque não tirou nove, nem dez [pausa]; ah e também não tirou cinco ou seis…. e sete.
É claro que a resposta não convenceu e aí presencie o aflorar de uma certa jovialidade revoltosa e um pseudo-ativismo, assim:
– Não é justo! O Zé tirou nove e o trabalho dele não chega nem aos pés do meu. Fora isso, na sala de aula não é todo mundo que trabalha como eu! – Esbravejou!
Impasse estabelecido, sem a presença de Bruce Buffer, famoso locutor de MMA para bradar o seu famoso “Eeeeeiitiiiiis Taaimm” (It’s time), eu disparei:
– Pois é, também acho injusto. Por sinal o mundo todo é injusto. Eu também acho que eu sou mais talentoso do que o Neymar, tenho mais estudo que o Lula (se bem que não é muito difícil…), mais inteligente que a Sabrina Sato e mais bonito que… bom, deixa pra lá. Mas, eu ganho menos dinheiro do que eles. Realmente o mundo é muito injusto e não fui eu quem inventou isso. Aliás, por falar em injustiça, também acho injusto o fato de você ter a quem reclamar que foi vítima de algo que considera uma injustiça; isso é um privilégio. Eu, se for reclamar pra alguém, teria que ser para Deus, e ele tem coisas bem mais importantes pra fazer e nem vai ligar para o meu problema. Eu pelo menos estou te ouvindo, olha só a sua sorte!
A moça esboçou um semblante de quem estava confusa e disse:
– Tá entendi, e aí, vai rever a nota, professor?
Respondi: – A nota é oito mesmo e sorte sua que não sou surdo senão, nem isso!
E foi-se.

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Quem nasceu primeiro? Acho que foi o ovo de Páscoa

Época de páscoa, pouca coisa é dita a respeito do significado cristão. Só se fala de coelho e de ovo, nas alturas, por sinal; tem iguaria de chocolate de R$ 90,00!

Nem o maior expert em economia seria capaz de convencer o pai de uma criança sobre o real preço do chocolate, tampouco uma premiada psicóloga infantil conseguiria demover o rebento de seu intento em querer o ovo de páscoa do personagem da TV. E o pai paga!

Mas e o ovo, o que tem a ver com isso?

Tirando o ovo da páscoa (cujo significado ainda não consegui estabelecer), vamos jogá-lo no nosso cotidiano e explorar os ditos populares, sem o menor receio de pisar em ovos.

Esse otimismo típico do brasileiro em relação a facilidade de conseguir as coisas, é o contar com o ovo na cloaca da galinha.

Por falar em fácil – se é que existe algo difícil -, é colocar o ovo em pé. Cru, é claro, se estiver cozido, é só quebrar o fundo de leve e pronto.

Talvez, bem pior, é descobrir quem nasceu primeiro: o ovo ou a galinha.

É fácil, como se fosse realmente o ovo de Colombo: quem apareceu primeiro foi o ovo pois dele nasceu a galinha, que foi chocada por uma urubu fêmea, que cruzou com um outro bípede, dando origem a galinha, ou melhor ao ovo.

E ai, achou algum pêlo nesse ovo? Eu diria que a descoberta deste enigma foi tirada do fundo do baú, ou em latim, “ab ovo”.

Se você descobriu agora e está babando ovo com a constatação, fique sabendo que eu não acho que esse texto se tornará a galinha dos ovos de ouro deste escritor.

E, mesmo que seja ovacionado por isso, aliás, ele não coloca todos os ovos no mesmo cesto.

Por fim, ovo também é cultura das boas, fique sabendo que a palavra é uma figura de linguagem chamada de palíndromo, igual Arara, Hannah, Ama, por exemplo, que lido de trás pra frente não faz diferença.

Pra finalizar, o que o ovo tem a ver com a páscoa mesmo?

 

Mais um jeito de ser feliz

Quando focamos num objetivo colocamos em prática o não fácil exercício de determinação.

O esforço acontece a cada momento e em tudo o que fazemos; deixamos de desfrutar disso ou daquilo, como estratégia para chegarmos lá. Fazemos aquilo outro que não é nada agradável como se tivéssemos que tomar aquele tal óleo de fígado de bacalhau do passado. Fazemos cara feia mas… vamos.

Colocamos um ritmo, fechamos os olhos e,  cada momento pensamos em desistir. Quando esquecemos de desistir, pensamos na dor. E assim sucessivamente como uma espiral que não termina. No meio disso tudo, respiramos fortes, ofegantes.

Nos agarramos no tal do entusiasmo, que é o nosso Deus interior, aquele que nos impulsiona a fazer as coisas. É para ele que apelamos, nos agarramos mas, daqui a pouco, até pedirmos para ele não nos abandonar e ficar do nosso lado por que a coisa tá difícil.

Para cada um de nós, alcançar o objetivo é algo pesado. Frustra quando falta pouco e quando termina, ou seja, chegamos, ainda falamos pra nós mesmos: dava pra ir mais! Que absurdo não.

A determinação é barulhenta.  Ela grita dentro de nós. Nosso corpo tenta expulsar esse intruso. Pensamos em parar a toda hora. Pensamos em desistir a cada minuto. Brigamos, discutimos, negociamos e não é com os outros, mas com nós mesmos, o que é bem pior.

Quem vê de fora aquela pessoa correndo, indo atrás do seu objetivo, nem imagina o quanto sofremos quando queremos algo e batalhamos por aquilo.  Nem imagina a dor, o sofrimento, a construção de todo aquele passo-a-passo.

É muito complicado e pouco tolerável topar com pessoas que não sabem o que é isso e arriscam um palpite a respeito sem pensar, ou melhor, sem tentar calcular toda a nossa dificuldade, a dor, o envolvimento.

Tem gente que ouve falar e diz: não acredito. Alguns dizer, “que besteira”. Outros, entretanto, quando presenciam o fato de atingirmos o nosso objetivo, apenas dizem: pura sorte.

Vão todos vocês à merda!

Fome de osso

Quando se aproxima o final do semestre, começam as despedidas de parte a parte. Aluno se despede de professor e vice-versa. O professor agradece cordialmente o convívio. O aluno agradece os ensinamentos mas, a maior parte – o que é comum – tem mesmo é um alívio por mais uma etapa vencida. Ambos certos!

Por mais calo, por mais grossa a pele (e como diriam alguns, tem gente que tem pele de elefante de tão grossa), a gente sempre se surpreende com alguma coisa que chega prá nós. Aquilo que eu chamo de Kinder Ovo (quando você abre, tem uma surpresinha).

Refiro-me a o que aconteceu num destes ciclos de final de curso cujo aluno simplesmente me saudou com uma reverência ao estilo oriental, e senti aquilo como se fosse realmente uma atitude incomum. Me causou um grande frenesi que até escrevi a respeito no post https://jacquesmiranda.wordpress.com/2013/05/29/nao-sabia-que-era-tao-bom/. Acompanhe.

Entretanto, nestas últimas aulas, um dos alunos me falou uma coisa que me incomodou bastante. Incomodou-me positivamente, é claro.

Disse que ele foi ao nordeste participar de um processo seletivo e, num determinado momento, foi-lhe solicitado que fizesse uma auto-apresentação e também uma apresentação de de seu projeto. Ele – o aluno – desesperado, lembrou de duas coisas: da postura do professor em sala de aula (este que vos escreve) e de alguns trechos do livro (também de nossa autoria) que havia comprado. Preparou-se com um dia de antecedência e, pronto! Foi aprovado com mérito e louvor.

“Professor, o senhor tem que ir pro nordeste. Lá as pessoas iriam adorar o seu jeito de ser e o seu livro. Faria muito sucesso viu!”, disse o aluno.

É claro que fiquei arrepiado e comovido com o elogio, afinal, quando podemos sentir que nossa intervenção no mundo pode fazer alguma diferença para alguém quando – via de regra – boa parte daqueles que frequentam o ensino superior está mesmo interessado em livrar-se rapidamente do módulo e concluir esta etapa de vida?

Ainda assim, quando alguém pode disse que “fez o que aprendeu e conseguiu o que queria”?

É muito reconfortante esta situação.

Isso, enfim, reforça o título do meu livro que foi mencionado pelo aluno:

Sao Ossos do Ofício Para Um Cão Faminto.

 

Mensagem de um aluno aos seus professores

Daqui a algumas horas, o relógio vai cantar pra meia noite, e esta lua cheia e este tempo agradável o qual faz hoje, fará me lembrar o porque de eu ser o que sou no presente. Mas isso tudo é apenas mais uma criação publicitaria de algum “marqueteiro” ganancioso, pois a meia noite de hoje nunca será só para mim o dia dos professores, e assim no caso para toda a eternidade. Venho por meio do meu péssimo português, do meu difícil dialeto, prestigiar de um momento de pensamento e homenagem a todos os mestres, grandes pensadores e artistas que me ensinaram muitas coisas na minha curta experiência de vida. Todavia gigantesca quando me deparava com olhos que transbordavam vontade e amor, e pelas palavras o orgulho se exalava em saber que dali, alguns sairiam daquelas cadeiras, grandes profissionais, ou não. Mas mesmo assim, a real e que todos se importavam apenas com um só item, ensinar. E ensinavam nos corredores, em casa, nas excursões, nas cafeterias, em dias de chuva eles não derretiam não, e em muitos outros lugares, pois o importante sempre foi o conhecimento, sempre foi o ensinar. Vou tentar citar o nome de todos, porem sei que infelizmente nao estão todos aqui, mas mesmo assim deixo meu gigantesco respeito pelo trabalho de meritíssima importância na minha vida e na formação de cidadãos, aqueles que exercem é claro sua cidadania. Começo pelo meus professores de musica, ao meu primeiro professor de bateria, Renato do Arte em Pauta, foi com você que aprendi que dinheiro nesta vida é a conseqüência de um bom trabalho.  Logo em seguida o professor Fabio do Conservatorio Municipal de Guarulhos, grande percussionista, e foi com você que aprendi o valor das coisas simples nesta vida, principalmente quando me dizia que besta é de quem acredita que não se possa se viver de sonhos, porque acreditar e persistir é o diferencial, mesmo em dias de guerra.  Na Escola de Musica Souza Lima, meus professores os com quem mais aprendi. Ivan Busic, aprendi com você que não importa o nível de nosso sucesso e nosso nível hierárquico, o importante e tratar sempre todos iguais e bem.  E com minha GRANDIOSA PROFESSORA DE HISTORIA DA ARTE, a que me incentivou e me prendeu de tal forma com sua empolgação e amor pela ARTE, Ana Maria, grande pianista e exemplo de mulher.  Na Faculdade ENIAC, meu professor de direito trabalhista e segurança do trabalho, que vivia me alertando, “a primeira causa de um acidente é achar que nunca vai acontecer com você.” rs  Logo mais, um dos maiores mestres do ENIAC e agora da Academia de letras de Guarulhos, Jacques Miranda, com você professor aprendi muito, não só sobre estratégia de mercado, mas muito sobre voar, ir alem. Foi com este seu jeito humilde e com este coração gigante que aprendi realmente o significado e a essência do aprendizado acadêmico.  Sobre a importância da administração do tempo e agora sua fã de carteirinha para sempre. Você é dez… Aos meus professores que me apresentaram a ARQUITETURA, me ensinaram o seu verdadeiro significado e meus primeiros contatos, eu era um bebe engatinhando nesta area, e hoje gracas a voces, ja consigo andar, Junior Predolin e Glauco Rocha… E atualmente Alexandre Gomes Vilas Boas logo mais se Deus quiser Tania Miotto eu estava em todas as palestras. rs ….  e ao meu ilustríssimo professor de Física da Ibirapuera, Antonio, grande físico e logo mais literalmente um MESTRE. A todos vocês, um excelente dia dos professores, e fiquem sabendo que não só eu como muitos outros alunos se sentem privilegiados por aprenderem com vocês. “A vida e uma constante evolução, basta saber o que fazer e serás bem sucedido, pois a maior arma de todas é o conhecimento” De Tania Ottoni com carinho. 

 

(Mensagem de uma aluna que guardou com carinho todas as passagens de sua vida e os professores que marcaram sua caminhada e cujo texto faço questão de eternizar em meu blog)

Troque

TROQUE

A possibilidade de conhecer

Pela certeza de saber

Mas não troque este seu conhecimento para humilhar os outros

Porque se assim fizeres, teu conhecimento de nada vai valer.

TROQUE

A dúvida sobre algo, pela certeza de alguma coisa.

Mas não troque a  chance de fazer o bem

Pela possiblidade imbecil de maltratar alguém

TROQUE

A razão Pela emoção

Mas sempre se dê conta de estar fazendo a coisa certa, senão

Destroque.

TROQUE

Dias de trabalho duro, por dias de lazer

Mas eu não troco, isso eu juro,

Dez aulas  com vocês pelo mesmo tempo no escritório, com bem poucas coisas a fazer.

TROQUE

Anos de estudo

Pela sensação do dever cumprido

Mas não sinta que mesmo estando sem emprego

Que isso foi em vão.

Troque essa ruim sensação, pela perseverança e aceite um conselho de irmão: dias melhores virão.

TROQUE

porque eu troco

Um momento de raiva,

Pelo sorrisos dos formandos

E quem nunca esteve aqui, não sabe o quanto é maravilhoso

Enxergar a beleza da aura de cada um desses merecidos graduandos.

TROQUE

Dias de tristeza

Por dias de alegria

Mas não esqueça de fazer a sua parte,

Escolha uma alegria que realmente contagia, senão não tem graça

Por falar em graça

TROQUE

Dias sem-graça, por dias alegres

Mas não troque a presença de seu pai e de sua mãe, de seu filho ou filha em todos os momentos importantes,

Afinal, a vida passa.

TROQUE,

Dias de tédio

Por dias de animação

Mas não troque uma discussão corriqueira

Por uma amizade verdadeira

Pois hoje e sempre é dia de comunhão.

TROQUE

A ausência diante de sua família

Pela alegria de poder dar-lhes presentes como este

Mas não troque a boa sensação de hoje

Pela tristeza de distanciar-se de seus amigos.

E ASSIM EU TROCO

Esse discurso comprido,

Por algo mais curto e de valor.

A frase é simples, tão simples mas a quem se destina, é muito merecedor.

É que tem gente que pede porque no fundo adorava,

Toda vez que a aula começava.

Então lá vai:

Parabéns Bravos e Bravas.

(Poema feito e proferido em ocasião da formatura da turma 2011/1 de Tecnologia em Marketing da Faculdade Eniac, ocorrida no dia 23 de setembro de 2013, do qual fui Paraninfo)

Dois reais. Eu quero é mais

Dois reais num Nietzche no metrô, salvou o meu humor naquela tarde de sábado, pleno feriado de 7 de setembro, e bomba pra todo lado. 

Já não bastava de manhã dar uma corridinha num local bem próximo à avenida que estava passando a parada cívica, do qual a locutora aos berros, pedia para a população aplaudir toda a sorte de personagens que passavam por lá: – uma salva de palmas  para os caminhões de lixo…; vamos aplaudir os cortadores de grama; agora é a vez de saudarmos com caloroso aplauso os porteiros da prefeitura! Um saco.

Essa coisa de manifestante mascarado ser chamado de Black Bloc tá dando um nó na minha compreensão. Eles não querem nada, só quebrar banco e tacar fogo no lixo para atrapalhar a tropa. A polícia também não quer fazer nada com esse povo porque eles tem a seu favor o álibi do direito de manifestação. Se for preso, é preso político, se apanhar, é injusto. Se quebrar, é direito. Se não quebrar, não é manifestação. Ah, não vejo lógica nisso e não me interesso por este assunto. Só sei que os caras assustam ein. Vi uns na avenida Liberdade, com pedras e paus, ah, sai correndo. Go Forest, Go!!!!

Portanto, essas manifestações estão como disse Alberto Caeeiro, um dos dezenas de pseudonimos de Fernando Pessoa, “o mundo está aí não para entendermos, mas para olharmos e estarmos de acordo”. Eu ein.

Vou ficar com o Nietzche, Ecce Hommo de dois reais e quieto no meu canto.

 

 

Site do escritor e palestrante

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