Fome de osso

Quando se aproxima o final do semestre, começam as despedidas de parte a parte. Aluno se despede de professor e vice-versa. O professor agradece cordialmente o convívio. O aluno agradece os ensinamentos mas, a maior parte – o que é comum – tem mesmo é um alívio por mais uma etapa vencida. Ambos certos!

Por mais calo, por mais grossa a pele (e como diriam alguns, tem gente que tem pele de elefante de tão grossa), a gente sempre se surpreende com alguma coisa que chega prá nós. Aquilo que eu chamo de Kinder Ovo (quando você abre, tem uma surpresinha).

Refiro-me a o que aconteceu num destes ciclos de final de curso cujo aluno simplesmente me saudou com uma reverência ao estilo oriental, e senti aquilo como se fosse realmente uma atitude incomum. Me causou um grande frenesi que até escrevi a respeito no post https://jacquesmiranda.wordpress.com/2013/05/29/nao-sabia-que-era-tao-bom/. Acompanhe.

Entretanto, nestas últimas aulas, um dos alunos me falou uma coisa que me incomodou bastante. Incomodou-me positivamente, é claro.

Disse que ele foi ao nordeste participar de um processo seletivo e, num determinado momento, foi-lhe solicitado que fizesse uma auto-apresentação e também uma apresentação de de seu projeto. Ele – o aluno – desesperado, lembrou de duas coisas: da postura do professor em sala de aula (este que vos escreve) e de alguns trechos do livro (também de nossa autoria) que havia comprado. Preparou-se com um dia de antecedência e, pronto! Foi aprovado com mérito e louvor.

“Professor, o senhor tem que ir pro nordeste. Lá as pessoas iriam adorar o seu jeito de ser e o seu livro. Faria muito sucesso viu!”, disse o aluno.

É claro que fiquei arrepiado e comovido com o elogio, afinal, quando podemos sentir que nossa intervenção no mundo pode fazer alguma diferença para alguém quando – via de regra – boa parte daqueles que frequentam o ensino superior está mesmo interessado em livrar-se rapidamente do módulo e concluir esta etapa de vida?

Ainda assim, quando alguém pode disse que “fez o que aprendeu e conseguiu o que queria”?

É muito reconfortante esta situação.

Isso, enfim, reforça o título do meu livro que foi mencionado pelo aluno:

Sao Ossos do Ofício Para Um Cão Faminto.

 

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