Mulheres (in) perfeitas. E certas

 Imagem

Uma saia justa de tecido elástico. Não é necessário  que a cor seja clara ou escura nem que seja estampada ou lisa, mas que seja curta. Curta o suficiente para modelar qualquer que seja o tamanho da anca e demais curvas ou acidentes (sujeito a uma dupla interpretação).

 

As pernas, também, não precisam ser grossas e bem torneadas seguindo estereótipos, mas precisa que apareçam o máximo possível. O sapato? Ah o sapato precisa sim ser de salto. Alto. E dos bem altos! Com isso, o andar fica mais cadenciado e – não poderia deixar de abusar do neologismo – meio pedestalesco.

 

A blusa? Digamos, um tomara-que-caia com enchimento ou aquele  “ombro só” estruturado para enaltecer ou realçar a fartura de seios, que nem sempre é a realidade.

 

Os cabelos  quase-louros e compridos, normalmente com luzes mas, pode ser escuro também e porque não? Escova progressiva que, registre-se,  paga em 3 ou 4 vezes na boa e velha Neide, a cabelereira. Um bom lápis no olho; um blush bem passado (mas um pouco escuro demais pro gosto da maioria), um batom meio descomportado, sobrando (propositalmente) nos lábios e, pronto. Esta ali a gata… gatinha… periquete… enfim.

 

A tal é  jovenzinha, ou jovem, até no máximo seus 23 anos.  Pouca idade, porque sabe-se que acima disso (um pouco pra cima e pra baixo, é claro) é que começam a apontar determinados traços de juízo, o que não lhe permite toda esta ousadia com maquiagem, roupas muito justas e curtas, super saltos. Pelo menos é o que reza a lenda.

 

Esta montagem arquitetônica, este monumento, certamente chama a atenção. Chama a atenção do jovenzinho e do jovenzão, do homem e do ancião cada um dentro do seu espectro, de sua visão. Uns pelo apelo da libido (sexo mesmo!), outros pelo design (coisa de “que bela paisagem” e porque não?), e outros até pelo choque cultural  (ah, no meu tempo não tinha disso) ou até pela curiosidade de projetar a imagem de suas filhas, netas ou até mesmo, por fim, de uma juventude “de bandeja”, abaixando até o chão ao som de músicas que antigamente se diziam ter duplo sentido, mas que na verdade tem um único sentido.

 

Ao raciocinar por este lado, esta iguaria (que também rima com baixaria) se acha de montão por aí e, convenhamos, tá todo mundo certo: este é o nosso mundo como diz Alberto Caeiro, um dos diversos pseudônimos do poeta Fernando Pessoa  “este mundo está para observarmos e estarmos de acordo”.

 

Quem se veste está certo, quem olha também está certo, quem critica idem.

Mas, nesta mesma sociedade existem pessoas que não dizem nada, nem criticam e nem expressam sua opinião positiva ou negativamente, ou seja, sobre o certo ou errado e que, de maneira especial, são pessoas que tem muito valor.

 

Eu falo da mulher de meia idade.  Aquelas que não se enquadram na descrição acima. Quem são elas?

 

É bem fácil inclusive de descrever: não precisa de saia justa, de salto alto, do mega batom, do super soutien, nem de um lápis todo  especial. Ela precisa do olhar, do caminhar, do falar e do pensar que se resume em “atitude”, algo que não cabe muito em descrição – há que se sentir.

 

E toda essa atitude, de ação ou omissão, faz-nos crer que desta vida, há uma certeza a de que já perdemos mesmo a juventude e essa não volta mais e, porque então se lamentar. Bom é pensar que pra frente,  o melhor  sempre estará por vir e quanto mais o tempo passa, mais belo fica a alma feminina. Mais ela se despe de valores supérfluos – saínha, blusinha, saltinho – e veste valores especiais. Mais valoriza o olhar, o dizer, o ouvir, o sorrir.

 

Quanto mais o tempo passa, mais bela fica a alma feminina. E quem enxerga a alma? Aí é que está a questão…

 

A alma não precisa de capa, está alí, ao vivo.

 

Eu enxergo, e você?

 

 

P. S. A construção do título, se conjugado o “in” com o “perfeita” gera uma palavra ortograficamente errada, mas me utilizei do “in” no sentido de “inside” (por dentro, na moda) e não necessariamente falando da imperfeição.

 

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6 opiniões sobre “Mulheres (in) perfeitas. E certas”

  1. Foi a mais bela cronica que já li, será que é porque me enquadrei na mulher de meia idade ? E eu amo ser a mulher de meia idade. Parabéns !!!!!

    1. Rssss. Tais, se quiser, pode ficar com este post para voc; ele seu! Sei que o Marco no tem ciumes de mim afinal, somos irmos!!! Obrigado pelo elogio de sempre.

  2. MULHERES,SAÕ ASSIM AS VEZES NÃO SE VESTEM PARA O HOMEM OLHAR
    SAO PARA OUTRAS MULHERES….VA PERGUNTA LOGO :NOSSA !!!AONDE VOCÊ COMPROU??

Muito obrigado pela sua leitura.

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